Luigi Pirandello (1867-1936) nasceu em Girgenti, na Sicília.
Estudou Filologia em Roma e em Bona.Autor de uma obra vasta,
Pirandello escreveu diversos romances que foram compilados
sob o título de Novelle per un anno (15 vols., 1922-37). Dos
seus seis romances, os mais conhecidos são Il fu Mattia
Pascal (1904), I vecchi e i giovani (1913), Si gira (1916),
e Uno, nessuno e centomila (1926).
É no teatro que Pirandello detém uma vasta obra. Escreveu um
vasto número de dramas que foram publicados, entre 1918 e
1935 e compilados em Maschere nude (Máscara nua). Este
título é programático. Pirandello está sempre concentrado no
problema da identidade. O eu existe para Pirandello apenas
em relação aos outros; consiste na mudança de facetas que
escondem um abismo inescrutável. Numa peça como Cosí é (se
vi pare) (1918), duas pessoas detêm percepções
contraditórias sobre uma terceira pessoa. A protagonista de
Vestire gli ignudi (1923) tenta firmar a sua identidade ao
assumir diversas identidades; gradualmente apercebe-se da
sua verdadeira posição na ordem social e no fim morre «nua»,
sem máscara social, aos seus próprios olhos e dos amigos.
Similarmente em Enrico IV (1922) um homem supostamente louco
imagina que é um imperador medieval, e a sua imaginação e a
realidade são estranhamente confusas. O conflito entre
ilusão e realidade é central em La vita che ti diedi (1924).
A análise e dissolução de um eu unificado é levado ao
extremo em Sei personaggi in cerca d'autore (1921) onde o
próprio palco, o símbolo da aparência versus realidade, é o
centro da peça.
As atitudes expressas em L'Umorismo (1908), uma das
primeiras peças, são fundamentais em todas as peças de
Pirandello. Luigi Pirandello faleceu a 10 de Dezembro de
1936.
Seis personagens à procura de autor é uma das peças
mais conhecidas de Pirandello.
Escrita em 1921, Seis personagens à procura de autor, de
Luigi Pirandello (1867-1936), relata um ensaio de teatro. O
ensaio é invadido por seis personagens que, rejeitadas por
seu criador, tentam convencer o diretor da companhia a
encenar suas vidas.
No início, o diretor fica perturbado por ter seu ensaio
interrompido, mas aos poucos começa a interessar-se pela
situação inusitada que se apresenta diante de seus olhos. As
personagens o convidam a encenar suas vidas, mostrando que
mereciam ter uma chance. Com isso, acabam convencendo-o a
tornar-se autor.
As discussões entre as personagens e o diretor compõem uma
análise filosófica do teatro. Assim, o peso da peça
divide-se entre a narrativa em si, e os aspectos
paratextuais, que ganham a cena.
Diretor e personagens discutindo constroem também uma
querela de formas de fazer teatro. As personagens, tentando
mostrar ao diretor que suas vidas são reais, em relação ao
palco, e ele defendendo a relatividade do que está sobre o
palco, toma como parâmetro a vida "real". A peça entra,
assim, em um outro aspecto: torna-se um estudo
metalingüístico do teatro, a arte discutindo a si mesma. A
forma de representação proposta pelo diretor não é aceita
pelas personagens. Não querem ser representadas pelos atores
da companhia. Afinal, como alguém poderia representar melhor
a vida de uma personagem do que ela própria?